Carlos Lúcio Gontijo

          Eli Antônio da Silva, professor de história, poeta e escritor, lançou mais um livro na noite do dia 28 de novembro de 2014, em concorrida noite de autógrafos, em Santo Antônio do Monte, na qual pudemos constatar uma grande presença de gente comum da população e um enorme, porém costumeiro, vazio de autoridades e os holofotes da imprensa que as acompanham. Essa repetida paisagem nos leva a suspirar aos céus um desejo: “Quem nos dera domar o descaso cultural!”

       Fizemos a mais absoluta questão de estar lá, uma vez que o jovem Eli, a quem fomos conhecer pessoalmente há pouco tempo, apesar da proximidade que já existia por causa de nossa obra literária, que chegou às mãos do autor santo-antoniense, que conosco passou a manter contato desde a época em que ainda era estudante: primeiro por carta, depois por e-mail, seguindo o avanço da tecnologia de comunicação.

     No romance “O domador de instantes”, ao estilo de prosa poética embebida em filosofia, Eli Antônio coloca o nosso nome, entre outros, na dedicatória, o que muito nos honra e nos torna ainda mais responsáveis pelas ideias grafadas em nossos livros, cientes de que elas são caminhos naturais para a construção de leitores e admiradores, que passam a acompanhar nosso trabalho literário pela vida afora.

     Leitores e propagadores de nossa obra são figuras tão raras que, quando perdemos uma delas para a morte – imposto da vida cuja fatura não perdoa ninguém –, ficamos literalmente dominados pela tristeza. Foi assim que recebemos a infausta notícia e marcamos presença no sepultamento da professora Marlene Miranda (27 de novembro de 2014).  Neste nosso retorno a Santo Antônio do Monte (há três anos), logo nas primeiras semanas, nós nos encontramos casualmente pela rua. Ela nos abraçou, desejou-nos boa sorte e nos falou sobre sua admiração pela nossa obra literária com extremo carinho.

   Daquele dia em diante, uma vez ou outra, nós a procurávamos para ela enviar livros, em nosso nome, à sua irmã Lúcia, que mora em Brasília e tem o hábito de divulgar nossa literatura por aquelas bandas. Lembramo-nos por ora do dia em que ela veio nos apresentar uma cópia do poema “Sangue Montense”, que seria colocada em um quadro para ela dar de presente à irmã Lúcia.

    Durante o lançamento do livro do Eli Antônio pusemo-nos a divagar na mente essas coisas que foram se somando ao longo de nossa carreira que vem desde 1977, quando editamos nosso primeiro título. Surgiu-nos também na mente a nossa “saída” da Secretaria de Cultura de Santo Antônio do Monte, na qual deixamos o registro de nossa responsabilidade cultural, que dispensa cargo público para ser exercitada, pois há anos estamos na batalha com a edição de nossos livros, que são sempre distribuídos gratuitamente a escolas e bibliotecas; nosso apoio aos que estão dando os primeiros passos no mundo da arte da palavra escrita, que é tão abandonado e enfrentam as mais variadas barreiras, que vão desde os elevados custos de impressão até mesmo as próprias bibliotecas, nas quais muitas vezes não encontramos pessoas habilitadas ou com a devida sensibilidade. Enfim, como nos dizia João Etienne Filho, saudoso professor e luzidio intelectual dos tempos de faculdade (amigo fraterno de escritores como Paulo Mendes Campos, Pedro Nava e Fernando Sabino): “É um horror!”

    Todavia, voltando ao livro “O domador de instantes”, que esperamos alcançar o reconhecimento merecido, podemos afirmar que festa se faz com os que nela estão presentes. E o nosso amigo Eli Antônio não tem o porquê reclamar, pois contou com público que encheu de calor humano a sua obra, que ao certo partiu do Centro de Cultura e Turismo (CETUC) com o combustível necessário para alçar grandes voos, domando inclusive os instantes desfavoráveis e de desconforto ao longo da caminhada.

   Carlos Lúcio Gontijo

   Poeta, escritor e jornalista

   www.carlosluciogontijo.jor.br

  29 de novembro de 2014.