Carlos Lúcio Gontijo

          Desde o dia quatro de junho, travo luta para sanar problema de visão em meu olho esquerdo, atingido por enfermidade rara (buraco na mácula). Os procedimentos se encerram no mês de janeiro de 2015, quando farei cirurgia de retirada da catarata que é sequela da própria cirurgia pela qual passei. Contudo, apesar da dificuldade visual não interrompi minha atividade de escritor e, assim, terminei o livro infantil “O guarda-chuva do Simão”, que está impresso à espera de lançamento.

          Diante de meu problema de saúde, recorri a amigos de Belo Horizonte, sob o comando de Mário Antônio de Oliveira, para as primeiras providências visando à realização do lançamento na capital mineira. Os passos iniciais já estão sendo dados nesse sentido: convidaremos 40 escolas do ensino fundamental, que se farão presentes ao evento por intermédio de suas diretoras e bibliotecárias, que levarão gratuitamente 20 livros para suas unidades escolares.

          Tranquilo em relação ao bom encaminhamento da minha terceira obra infantil, eu busco agora colocar no ponto de impressão o meu 18º livro, “Tempo Impresso”, que conta com apresentação da poetisa e prosadora portuguesa Carmo Vasconcelos, que nos enviou texto bem articulado, direto de Lisboa.

          Paralelamente ao meu envolvimento com a literatura, o mês de dezembro trouxe a minha iniciação na Loja Maçônica Mestres do Monte, que tem entre os seus fundadores o meu pai José Carlos Gontijo, que aos 90 anos assistiu, com os olhos mergulhados em lágrimas, àquela cerimônia que me conduziu ao abraço (e ao abrigo) de novos irmãos pela vida afora.

          A nossa existência breve e frágil neste planeta Terra deveria nos levar à constante reflexão sobre a necessidade de descobrirmos os nossos dons, aperfeiçoá-los e exercê-los em prol da construção de uma sociedade melhor.

          Dentro dessa quadra, não há como semear um ambiente social mais justo e menos desigual quando políticos, contrariados com o resultado das urnas, passam a incentivar instintos ditatoriais adormecidos, incluindo no pacote tresloucado o sentimento de oposição ao regime democrático, com a propagação da falsa ideia de que todos os problemas brasileiros serão resolvidos a partir do momento em que figurões iluminados pelo divino poder dos reis, dos príncipes e dos generais tomarem em suas mãos as rédeas do governo, pondo em pleno funcionamento os chicotes, as masmorras e os pelourinhos do passado, dos quais muitos andam esquecidos e sequer têm recorrido aos livros para oxigenar os vazios de memória ou até mesmo a mais absoluta falta de conhecimento da história política do País.

            Carlos Lúcio Gontijo

            Poeta, escritor e jornalista

            www.carlosluciogontijo.jor.br

            9 de dezembro de 2014.