Carlos Lúcio Gontijo           

          O Brasil, envolvido em manto de calor sem precedentes, com temperaturas acima de 30 graus e sensação térmica de 38/40, com reservatórios d’água e barragens bem abaixo de sua capacidade, colocando em risco tanto o abastecimento de água potável à população quanto a produção de energia elétrica, continua a assistir ao desenrolar de uma politicagem sem fim, com muito político ainda atrelado a discursos de palanque, para desespero dos cidadãos.

       Jamais compreendemos o porquê de empresas de abastecimento d’água e produção de energia elétrica estar sob o domínio de particulares e ter ações em bolsa de valores, pois a bem da verdade tais empreendimentos jamais se nos apresentam com lucro, uma vez que seu passivo junto ao meio ambiente é imensurável. Ou seja, o que é repassado a acionistas deveria ser utilizado para recuperação de matas ciliares, revitalização de fontes, riachos e córregos, desassoreamento de rios, reflorestamento, construção e interligação de reservatórios etc.

       Vivemos uma era de enganação e maldades explícitas. Hoje, não basta a pessoa galgar postos ou ser bem-sucedida, pois o seu regozijo será tanto maior quanto mais pessoas ela tiver magoado em seu processo de evolução. Há quem acredite que, ao ludibriar a sociedade e o seu grupo de amigos próximos, está também enganando o onipresente olho de Deus.

       Indubitavelmente, esse distúrbio comportamental religioso vem do equívoco de colocar o Criador em pé de igualdade com o ser humano, visualizando-o como uma entidade propensa à necessidade de aclamação e adoração, como qualquer celebridade, quando na realidade Deus quer é se ver exercitado através do amor ao próximo, de obras e atos em prol da construção de um mundo melhor.

       Em nosso romance “Jardim de Corpos”, grafamos que “o ateu que promove as leis de Deus através de ações e gestos está mais próximo do Criador que aquele que constantemente recorre a templos ou igrejas para pedir clemência por seus pecados”. Nesse mesmo caminho, temos frase espiritual de Bezerra de Menezes: “É melhor, às vezes, lidar com quem diz não ter religião e ama o próximo, servindo-o, do que com aqueles que se dizem religiosos, não amando o próximo e explorando-o”.

       Não podemos de maneira alguma aceitar que nossas autoridades legalmente constituídas se sintam maiores que os cargos que ocupam, democraticamente, em nome do povo, que em síntese, é o verdadeiro titular de cada assento disponível em todos os níveis da República, seja no governo federal, estadual ou municipal.

       É inaceitável que homem público ungido pelas urnas não saiba elencar prioridades e permaneça cometendo o desatino de trocar o ouro pelo espelho. A questão ambiental é fundamental; é assunto intimamente relacionado com o amor ao próximo e respeito ao planeta Terra, obra sublime do Ser Superior que nos rege. Dessa forma, está passando da hora de os políticos brasileiros e mundiais descerem de seus palanques carcomidos pelo cupim da mais absoluta inutilidade, passando ao exercício da oração que mais agrada ao Criador: ação e obras em benefício da humanidade!

       Carlos Lúcio Gontijo

       Poeta, escritor e jornalista

      www.carlosluciogontijo.jor.br

      20 de janeiro de 2015.