Carlos Lúcio Gontijo

    Itamarandiba, San Vicente, Sunset Marquis 33 Los Angeles, simples endereços terrenos, que de repente viraram paisagem de janela, uma espécie de sentinela de “Vevecos, Panelas e Canelas”, bola de meia, bola de gude, canções e momentos expostos na ponta de areia (feira moderna), como se fossem fruta boa a ser colhida por gente que vem de Lisboa, compondo uma canção da América.

    Em outubro, comprarei roupa nova, vou visitar a Maria Maria, com paixão e fé, pedindo-lhe, em voz tambor do coração, para que ela seja Maria Solidária e dê uma chance ao que vai nascer, consciente de que o medo de amar é o medo de ser livre, de se transformar em Maria Três Filhos, realizando o milagre dos peixes.

   Depois, partirei em busca de saídas e bandeiras, ao feitio de “brasileiro, Chico o caminhador”, e assim desbravar, com a força do Manoel (o audaz), os sons que nos conduzem “Para Lennon e McCartney”, que moram onde o vento faz curva e, seduzido pelas canções do Clube da Esquina, termina em brisa fagueira, mineiramente conversando no bar, levando um papo com a poesia eterna de Fernando Brant, que desprendida e imaterialmente se foi desta vida, cantando na travessia que “Minha casa não é minha e nem é meu este lugar”.

   Carlos Lúcio Gontijo

  Poeta, escritor e jornalista

 www.carlosluciogontijo.jor.br

 12 de junho de 2015.