Carlos Lúcio Gontijo

Ao ver nosso trabalho literário homenageado (principalmente a obra infantil) pela Escola Municipal Amâncio Bernardes, em Santo Antônio do Monte, veio à nossa lembrança o escritor Guimarães Rosa: "Alegre era a gente viver devagarinho, miudinho, não se importando demais com coisa nenhuma”. Ou seja, nossa vontade era que todos aqueles estandes representando a nossa trajetória no âmbito da literatura e da poesia ficassem ali montados, estacionados para sempre na estação do tempo, dado a grandeza da entrega e da beleza da arte elaborada pelos alunos e alunas, sob a orientação das professoras, que tão bem os conduziram.
Poucas vezes na vida nos emocionamos tanto perante a visão material representativa da batalha que (eu e Nina) travamos ao longo de mais de quatro décadas, visando à publicação de livros – um produto completamente desvalorizado no Brasil.
Do fundo da alma extasiada, registramos aqui a nossa gratidão à comunidade escolar do Amâncio Bernardes, à qual temos a obrigação e o dever de seguir, pois afinal Duducha, Simão, Lelé, “Beijoaria” e agora a tartaruga Georgina fizeram morada em suas dependências – completamente aprisionados pelo gesto de amor, sinceridade, reconhecimento, respeito e afago, que ali encontraram.
Ao bem da verdade é bom que se diga que a magnitude dos trabalhos expostos (na “Feira do Livro na Praça 2018”) ficará para sempre na memória dos alunos e alunas da Escola Municipal Amâncio Bernardes, de Santo Antônio do Monte, passando-lhes o aprendizado indispensável de que devemos dar o máximo de nossa capacidade em tudo o que fazemos na vida, que nos cobra entrega e coragem na caminhada.
Aprendemos com o poeta Bueno de Rivera, filho maior de Santo Antônio do Monte, que os grandes momentos podem ser muitas vezes desprezados e até nem receber a devida divulgação, mas ainda assim estão distantes de ser ignorados – pois que verdadeiros!
Se de um lado ficamos muito felizes ao ver nossos livros enfocados (sob a livre égide da espontânea deliberação) pela comunidade escolar do Amâncio Bernardes; de outro, mais nos encheu de satisfação a oportunidade de nos imbuirmos da certeza que os alunos, ainda que agora não percebam com a devida exatidão, levarão em suas mentes a lição de que o sucesso é sinônimo de se conhecer nosso propósito na vida. Crescermos para atingir o nosso potencial máximo e lançar sementes que beneficiem outras pessoas, como o fizeram direção, professores e todos os discentes da Escola Municipal Amâncio Bernardes, que semearam boas sementes culturais e, certamente, muitas delas vingarão em meio ao deserto e ao pó secular do abandono em que vivem a educação e a cultura Brasil afora!
Carlos Lúcio Gontijo
Poeta, escritor e jornalista
www.carlosluciogontijo.jor.br
20 de abril de 2018