Carlos Lúcio Gontijo

               A literatura e a poesia são caminhadas duras, exigindo que os autores resgatem de cavernas tailandesas mundo afora centenas de palavras abandonadas pelo desuso ou pelo esquecimento, neste mundo em que o diálogo é cada vez mais curto e predisposto a terminar num palavrão arrasador diante de qualquer discordância entre os interlocutores – principalmente na esfera da comunicação virtual.

          Ao longo de nossa jornada no âmbito da cultura da palavra escrita fizemos muitos leitores. São mais de quatro décadas de batalha, 21 obras editadas e, ainda, um livro pronto para o ano que vem, outro para quando fizermos 70 anos e ainda uma obra infantil inédita, pela qual temos um grande carinho, intitulada “Agenda”.

          Este ano lançamos “A tartaruga Georgina” em Santo Antônio do Monte e em Contagem, onde fomos convidados a visitar o Instituto Educacional Novos Tempos, a Escola Municipal Babita Camargos e estamos agendando nossa ida ao Centro de Educação Maurílio Miranda. Porém, foi em Santo Antônio do Monte que experimentamos uma grande emoção, quando alunos da tradicional Escola Municipal Amâncio Bernardes enfocaram nossa trajetória em seu evento anual denominado “Feira do Livro na Praça”.

          Aguardamos marcação de data para que estejamos também em Capim Branco e Moema, cidade pela qual temos carinho especial devido à existência ali de uma escola municipal de ensino fundamental com o nome da saudosa vovó Venina Gomes, professora e mãe de meu pai José Carlos Gontijo e mais seis irmãos, que já se foram deste planeta Terra. Pois bem, e o querido pai “Zé Carlos”, completa 94 anos no dia 19 de julho de 2018, sob a condição de nosso principal e mais constante patrocinador.

          Não fosse a sensibilidade de mecenas do meu pai, teríamos bastante dificultadas as edições de nossos livros, uma vez que ao longo do tempo perdemos pessoas amigas que tanto nos ajudaram em vida, como Wilson Ricardo de Oliveira (que foi vereador em Santo Antônio do Monte), Edmar Roque (proprietário da Casa dos Contos e Cantina do Lucas, em Belo Horizonte) e Antônio Faleiro (do Buffet Faleiro, na capital mineira). Infelizmente, no exercício da arte da palavra escrita, quando perdemos apoiadores e leitores, é muito difícil encontrar substituto – é como procurar agulha no palheiro.

          Vitaminamos os nossos passos com banho diário de muito idealismo e mergulho exclusivo na produção, despidos de qualquer avaliação de cunho material, que nem de longe combina com a decisão de fazer poesia e literatura num país que não está nem aí para a formação cultural de sua gente, pensando inclusive na diminuição de espaços nos currículos escolares destinados ao semeio do ponto de vista crítico, da luz espiritual da sensibilidade, sentimento de coletividade e da consciência da existência do outro como irmão, que têm o poder de humanizar a lógica fria dos conteúdos didáticos.

         Acabamos de comprar presentes para o nosso “paitrocinador” José Carlos Gontijo, que (desde a morte de minha mãe Betty no dia 19 de dezembro de 1989) tenta ao seu jeito – cada um de nós tem o seu – cuidar da família, tornando real o verso de poema de nossa autoria: “Ser pai é correr docemente atrás/ Da realidade natural de não ser mãe (...)”.

          Carlos Lúcio Gontijo

          Poeta, escritor e jornalista

        www.carlosluciogontijo.jor.br 

        12 de julho de 2018.