Carlos Lúcio Gontijo                     

                                    

          Está cada vez mais difícil conviver com essa gente, que durante o dia atira pedras nas prostitutas e à noite vai dormir na zona! Estamos sob o império da hipocrisia, da impostura e da mentira incrementado pela ignorância, que foi elevada ao patamar de predicado e com pleno direito de atingir, menosprezar e perseguir a inteligência, o conhecimento e a ciência.

          Na internet a oportunidade de diálogo se transformou em discórdia e discussão carregada de desrespeito e palavrões em substituição à colocação de argumentos. Assistimos a muita gente empenhada na propagação de seus ímpetos apocalípticos como forma de alcançar alívio definitivo para seus males, pelo simples fato de não ter coragem de ir sozinho para a morte. Ou seja, fica na torcida por uma hecatombe que destrua a todos, num desastre coletivo.

          Esse transtorno psicológico de desapreço pela vida tem influenciado todas as atividades humanas, onde muitos têm prazer em solapar e prejudicar trabalhos voltados ao engrandecimento da convivência em sociedade, que necessita ser alicerçada em mais igualdade e menos injustiça entre as muitas camadas e classes sociais.

          Quando nos deparamos com tanta gente operando contra o estabelecimento de políticas compensatórias e positivas direcionadas aos mais pobres, constatamos o extraordinário grau de contradições embutido nas ações comunitárias, pois em muitos casos entidades filantrópicas (e que se dizem cristãs) se unem às elites que lutam contra os benefícios governamentais destinados às camadas mais pobres da população, como se visualizassem na ampliação da miséria uma espécie de matéria-prima a ser preservada.

          Inacreditavelmente, até no processo eleitoral detectamos eleitor procurando escolher o candidato mais capaz de detonar todas as conquistas sociais, como se estivesse apostando no quanto pior melhor, em busca da criação de ambiente mais capaz de rebaixar tudo e a todos ao nível de suas frustrações pessoais, que doentiamente deseja ver disseminadas no plano coletivo, numa forma suicida de compensar a sua desgraça particular, tornando-a suportável à medida que ele contribua para a infelicidade do outro, do qual então se sentirá próximo, como irmão do infortúnio ao qual se agarrou como tresloucado e diabólico propósito de sua existência terrestre infértil.

          Carlos Lúcio Gontijo

          Poeta, escritor e jornalista

         www.carlosluciogontijo.jor.br

        06 de agosto de 2018.