Carlos Lúcio Gontijo

17 de julho de 2009

VIVEMOS no país dos eufemismos, no qual falecer é visto como menos doloroso que morrer. O empobrecimento da classe média brasileira é fenômeno econômico cada vez mais explícito, tanto pela queda de rendimentos quanto pela constatação de que as vagas no mercado de trabalho se dão para funções com remuneração basicamente entre um e três salários mínimos.

DESSA FORMA, dentro da filosofia do eufemismo, já temos economistas e institutos de pesquisas alçando assalariados que vivem com mais de US$3 mil por ano, o equivalente a cerca de R$500 reais por mês, à condição de cidadão integrante da classe média.

ATENDENDO a essa lógica de amenizar o problema da má distribuição de renda por meio da magia do eufemismo, os jornais recentemente abriram manchetes anunciando que a classe média vai dobrar no Brasil até o fim do próximo ano. Todavia, esses novos remediados se juntarão àqueles que ganham R$500 reais por mês, valor que mal cobre as necessidades de uma única pessoa com alimentação.

É INEGÁVEL que, nos últimos anos, o Brasil assistiu ao crescimento da classe C, engrossada pela subida de representantes da classe D, sob o estímulo de políticas de transferência de renda, como o Bolsa-Família e pelos aumentos reais concedidos ao salário mínimo. É bom lembrar que, tecnicamente, na classe D estão as famílias com renda entre três a cinco salários mínimos, com rendimento que apenas lhes possibilita acesso a financiamento para a compra, por exemplo, de moradia popular.

NÃO HÁ a menor possibilidade de a adoção de eufemismos desfazer a enorme vocação dos meios de produção para a desvalorização da força de trabalho, principalmente nos dias de hoje em que a política de combate a custos é aplicada insensivelmente sobre os ganhos salariais e eliminação de direitos da classe trabalhadora.

INFELIZMENTE, caminhamos para a construção de uma sociedade dividida, economicamente, em ricos e pobres, deixando de existir a faixa intermediária (a classe média), numa surpreendente e inimaginável socialização às avessas, atendendo à ganância dos detentores de capital, que aprenderam e aperfeiçoaram a individualização de lucros e a plena distribuição de prejuízos com toda a sociedade, que custeia a riqueza material de tantos Josés Sarneys Brasil afora, com assento no parlamento e em instâncias de poder do Estado, mas ostentando direitos equivalentes ao de reis, príncipes e mesmo inescrupulosos ditadores.

É TANTA gente encastelada em grupos de notáveis remunerados e fingindo prestar serviço à Nação, em conselhos que se reúnem uma vez ou outra em suntuosos convescotes, que a elevada carga de tributos se nos apresenta sem qualquer correspondência, por exemplo, com a penúria em que vive o povo nas filas da assistência pública de saúde, onde o Estado ensina (e patrocina) a violência, ao materializar a idéia de que uma vida não vale nada.


Postado em 17/07/2009

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