Quando quero contar sobre mim, são livros o que conto!

(*) Carlos Lúcio Gontijo
  Quem planta algodão, semeia nuvem no chão. Assim, os que exercitam a arte da palavra escrita são cultivadores da sensibilidade e do amor no coração. É bastante isoladora a situação do meio artístico brasileiro perante o declínio do gosto pela leitura, tão bem explicitado por figuras públicas como o ex-presidente da República Jair Bolsonaro, que chegou a dizer que os livros têm palavras demais, tomando a iniciativa de execrar a atividade intelectual, colocando-a como desnecessária por não fazer parte de sua existência o entendimento de que a cultura é a carteira delineadora da identidade de todo e qualquer povo, como se fosse uma espécie de DNA.
  O que se sabe é que todo governante adepto ao autoritarismo odeia os poetas, os escritores, os filósofos, os historiadores, os sociólogos e os professores, por serem propagadores de conscientização em relação à necessária união para uma saudável e progressista vida em comunidade, da qual vem a indispensável ideia de nação.
  Sempre ouvi dizer que o que você é gera mais perseguição que o que você fez (ou deixou de fazer) em relação a alguém. É aí que entram as pessoas que tratam os que com elas convivem segundo a sua suposta e pretensa importância na sociedade, ensinando-nos que os desqualificadores de nosso trabalho e classe social são os nossos verdadeiros e radicais inimigos.
  No dia 27 de abril de 2024, realizei bem-sucedido lançamento do livro “100 TEMPO”, meu 26º título, em Belo Horizonte, numa concorrida última sessão de autógrafos na capital mineira, apesar de ter mais um livro a ser publicado no ainda distante dia 5 de maio do ano de 2029, em comemoração à data da “Bodas de Prata” do meu casamento com a amada Nina. Porém, não haverá autógrafos na ocasião, uma vez que o livro “Palavras sem impressão” é repleto de poemas escritos à mão, com minha assinatura (além de data e hora de criação em alguns deles). Na festiva ocasião imaginada por mim, o convidado encontrará o livro sobre a mesa e a confraternização acontecerá sem os cânones de uma cerimônia cultural.
  Sou muito grato aos amigos leitores que me acompanham desde 1977, passando-me a certeza que não há amizade que sobreviva à falta de reciprocidade. Tive a sorte de eles entenderem que a literatura e a poesia são o próprio ar que respiro e que a melhor maneira de cultivarmos a semente da amizade entre nós seria (e é) por intermédio da oferta de apoio ao meu idealismo de escritor independente, que reconhecidamente é de tão difícil construção.
  No dia 7 de junho, apresento o livro “100 TEMPO” à população de Lagoa da Prata, sob a voluntária coordenação do músico Antônio Oliveira e apoio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo e da ACADELP, dentro de projeto no qual eu distribuirei 133 exemplares de títulos de minha autoria, gratuitamente, a leitores, escolas de ensino fundamental e bibliotecas públicas lagopratenses, durante sessão de autógrafos na Biblioteca Pública Cel. José Vital, contando com participação do Grupo Musical Acadelp em Seresta.
  Vejo-me como incorrigível otimista, pois (apesar das tantas negativas e pedras no meu caminho de escriba menor) ainda sonho com o lançamento do livro “Palavras sem impressão”, meu 27º título, daqui a cinco anos, se o Criador assim abençoar. Mas pelo sim, pelo não, quem se interessar pode ler a obra inédita em meu site – na íntegra e com direito a download –, pois acima de tudo sou semeador de algodoeiro literário: uma lavoura em que a palavra é mercurocromo das feridas advindas da caminhada vida afora.

Carlos Lúcio Gontijo

Poeta, escritor e jornalista

www.carlosluciogontijo.jor.br

 14 de maio de 2024.