Quando quero contar sobre mim, são livros o que conto!

MERCUROCROMO DA VIDA

(*) Carlos Lúcio Gontijo   Quem planta algodão, semeia nuvem no chão. Assim, os que exercitam a arte da palavra escrita são cultivadores da sensibilidade e do amor no coração. É bastante isoladora a situação do meio artístico brasileiro perante o declínio do gosto pela leitura, tão bem explicitado por figuras públicas como o ex-presidente da República Jair Bolsonaro, que chegou a dizer que os livros têm palavras demais, tomando a iniciativa de execrar a atividade intelectual, colocando-a como desnecessária por não fazer parte de sua existência o entendimento de que a cultura é a carteira delineadora da identidade de todo e qualquer povo, como se fosse uma espécie de DNA.   O que se sabe é que todo governante adepto ao autoritarismo odeia os

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Muitas mãos a segurar minha pena

(*) Carlos Lúcio Gontijo   Quando dei início ao sonho idealista de escrever e publicar livros, eu tinha 14 anos, mas como é exercício de difícil realização somente pude levar livro à gráfica aos 25, em momento que contei com o apoio decisivo de minha mãe Betty Rodrigues Gontijo, que se dispôs a me ajudar na venda de exemplares do meu “Ventre do Mundo” porta a porta.   À época (em 1977) eu não tinha sequer emprego e ousei assinar notas promissórias relativas ao custo de impressão junto à extinta gráfica Nossa Senhora da Conceição – nem existe mais –, que ficava à Rua Além Paraíba, no Bairro Lagoinha em Belo Horizonte. Minha mãe e eu, num trabalho incessante, contando com a união de forças

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“MULHERES E PREDADORES”, Um romance fadado a ter vida longa.

(*) Carlos Lúcio Gontijo   O autor Hermínio Prates, também jornalista e professor, usou o romance “MULHERES E PREDADORES” como ferramenta de jornalismo e momento de aula, fazendo do palco de vida da protagonista Suzana (Suzy) uma extensão dos cenários político, social e artístico do Brasil   Fica bastante explícito pelo enredo bem tramado que quem procura facilidades, exercendo o famigerado “levar vantagem em tudo”, termina por encontrar tremendas dificuldades.   “O tempo não se conta pelos invernos e sim pelas primaveras. Viver é ser feliz todos os dias”, escreveu Hermínio Prates à página 283.   Costumes, conceitos e história política brasileira desfilam em meio à narrativa ficcionista, compondo um só feixe, numa perfeita imitação da vida cotidiana de todos nós, no qual tudo se

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Sob as trombetas das sextas-feiras

(*) Carlos Lúcio Gontijo   Sempre me preocupei em trabalhar contra a elitização do ambiente literário, razão pela qual os lançamentos de meus livros ao longo dos anos (desde 1977) foram marcados pela heterogeneidade de público, uma vez que existe leitor em todos os segmentos sociais, apesar do escasso gosto pela leitura constatado Brasil afora.   Diante do avanço da tecnologia digital assistimos à insistência dos gestores do meio cultural na promoção de eventos culturais direcionados a pessoas mais bem aquinhoadas. Observamos a transformação de manifestações como o carnaval e o futebol, tidas antes como populares, caminharem rumo ao elitismo. Esse triste horizonte de cultura sem povo é estampado de maneira explícita nos desfiles de escolas de samba no Sambódromo do Rio de Janeiro ou

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Pintando o sete

(*) Carlos Lúcio Gontijo   Quando nasci no dia 27 de abril de 1952 o Brasil já era o país do futuro e, agora, em 2024 comemoro 72 anos com a nação brasileira ainda à espera da alvissareira bonança que nunca vem, permanecendo atavicamente na construção de oásis de fartura e prosperidade para poucos. A mentira esparramada Brasil afora por intermédio da internet aderiu como luva aos interesses da elite conservadora de direita, que sempre soube que informação é fonte de poder e passou a espargir inverdades sobre tudo, inclusive no campo da ciência – então contestada não com estudos, mas com suposições e achismos absurdos como, por exemplo, a Terra plana e o posicionamento antivacina.   O golpe engendrado contra o governo Dilma e

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Na Janela Do Avarandado Do Encantamento

       LUARA NINA, a primeira de minhas três netas a vir a este mundo de meu Deus, tem baile de formatura (Veterinária) no dia 13 de janeiro de 2024. Todavia, não pretendo aqui exaltar a conquista representada na conclusão de um curso superior, mas grafar palavras de reconhecimento com a tinta e as cores tão bem derramadas pela união entre a avó NINA e a neta LUARA, que agora recolho como abelha recolhe néctar de flor, para expor a beleza de uma história de puro e licoroso amor.        Como seixos unidos na correnteza de rio durante forte tempestade, as duas se imbuíram no cumprimento de uma missão, com Nina emprestando toda a sua capacidade intelectual e experiência didática de ex-professora

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“Faixa de gaza cultural”

Ter resposta pronta e imediata para tudo passou a ser uma exigência em nosso tempo, onde a ideia preponderante é “deletar”, num piscar de olhos, tudo aquilo de que não se gosta ou atravessa momento ruim, inclusive relações de amizade e amor – não há perdão! A dura realidade é que ninguém tolera a espera, não há espaço para o semeio, para os estudos acadêmicos: a internet é o grande canteiro de colheita, onde a falta de intimidade com a leitura e interpretação de texto conduz a conclusões ilógicas e sem qualquer amparo científico. As pessoas passaram a agir por instinto, abrindo mão da análise e do conhecimento, em conformidade com pesquisas que indicam que, no ano de 2022, 84% da população adulta do Brasil

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O “Céu de Luz Marina” do autor Ádlei Carvalho

Numa sentada ininterrupta (e avidamente) tomei a leitura do romance “Céu de Luz Marina”, novo romance de Ádlei Carvalho, a quem conheci há alguns anos graças à esposa Lílian, que um dia se deparou com o meu livro “Jardim de Corpos” na biblioteca do UNI-BH, na capital mineira, e resolveu comentar com o marido, que procurou fazer contato comigo – e assim nasceu uma sincera amizade.De lá pra cá, eu já tive a honra de prefaciar o seu excelente romance “Triângulo Vermelho”, e ele me contemplou com a lavra de magnífico posfácio, para o meu livro “Menos Olhos, Menos Chuva & Grãos de Loucura”. Para mim que estou na estrada poético-literária desde 1977 (quando publiquei o primeiro livro), encontrar autor do potencial do Ádlei Carvalho

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“A vida não se resume em festivais”

O que me importa nesta vida é a longevidade dos sentimentos. Minha poesia tem o máximo gosto feliz (que se pode ter) sob a certeza lancinante da morte. Tais pensamentos vieram-me à mente ao ler o livro “Geraldo Vandré – A vida não se resume em festivais”, de Dalva Silveira, que num misto de ciências sociais, história e música popular brasileira, discorre sobre a carreira artística do compositor da música “Caminhando”: Vem, vamos embora, que esperar não é saber/ Quem sabe faz a hora, não espera acontecer. A obra de Dalva Silveira me veio às mãos por intermédio do psicólogo Robson Gurgel e sua esposa Penha. Como estava com um punhado de livro para ler e envolvido com a reforma da plataforma de meu site,

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A “sucupiralização do Brasil“

O Brasil segue o seu calvário social doentio e enfermo, sob os males do fascismo resistente, que se especializou na naturalização da desigualdade, dos preconceitos e uma inconcebível visão racista da convivência em sociedade. O tempo da democratização de acesso a ensino de qualidade permanece como providência apregoada e jamais materializada. Enquanto as transformações sociais são adiadas, gama imensa de brasileiros se nos apresenta como massa de manobra de políticos e demais forças de poder, depreciando as relações do trabalho com o capital e, dessa forma, gerando uma espécie de escravidão legalizada, por intermédio da qual o operário leva uma vida de necessidades apesar de todo o suor derramado no campo e nas indústrias de transformação. O entrelaçamento de religiões e ações políticas vem empobrecendo

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Deve exsistir um anjo protetor dos livros

Minhas células estão inseparavelmente grudadas à celulose das páginas de meus livros e, também, nos artigos e editoriais que publiquei em conceituados jornais. Costumo afirmar que o chão do meu minifúndio literário foi conquistado sob o fogo cruzado, em verso e prosa, na batalha diária contra a ignorância. O descaso dos governantes em relação à cultura e à educação sempre existiu, umas vezes mais, outras vezes menos, mas a presença do desleixo é constante. Advêm dessa aversão ao segmento cultural, as constantes ameaças de o poder político cair nas mãos dos Hitler, dos Mussolini e dos Bolsonaro mundo afora; figuras radicais e com visão social deturpada, que se aproveitam exatamente do vácuo criado pela falta de boa escolaridade, leitura e acesso a um leque de

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Deve exsistir um anjo protetor dos livros

Minhas células estão inseparavelmente grudadas à celulose das páginas de meus livros e, também, nos artigos e editoriais que publiquei em conceituados jornais. Costumo afirmar que o chão do meu minifúndio literário foi conquistado sob o fogo cruzado, em verso e prosa, na batalha diária contra a ignorância. O descaso dos governantes em relação à cultura e à educação sempre existiu, umas vezes mais, outras vezes menos, mas a presença do desleixo é constante. Advêm dessa aversão ao segmento cultural, as constantes ameaças de o poder político cair nas mãos dos Hitler, dos Mussolini e dos Bolsonaro mundo afora; figuras radicais e com visão social deturpada, que se aproveitam exatamente do vácuo criado pela falta de boa escolaridade, leitura e acesso a um leque de

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Em busca de permissão de pouso no coração do leitor

   (*) Carlos Lúcio Gontijo        Não vou ser escritor maior ou menor se continuar publicando mais livros até o fim de minha caminhada terrestre, pois jamais passarei de escriba menor, um lobo solitário enveredado em meio ao cipoal do tortuoso mundo das letras. Acredito já ter conquistado um bom tamanho: 26 títulos (duas segundas edições), uma Coletânea composta pelos cinco primeiros livros e, ainda, os artigos (mais de 600) publicados em jornais, além dos editoriais (cerca de 1.300). Enfim, uma vida dedicada ao exercício da arte da palavra escrita.        Comecei a juntar material para edição de livro desde os 14 anos, mas só consegui lançar o primeiro título aos 25, e prometi à minha saudosa mãe Betty um dia escrever obra lastreada na

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Drama dos ianomâmis envergonha o Brasil

                                         (*) Carlos Lúcio Gontijo          Quando um governo opta por praticamente extinguir as políticas públicas destinadas à população mais pobre e desfavorecida de um país tão socialmente desigual como o Brasil, estendendo suas ações maléficas às entidades e instituições de regulação das relações trabalhistas, articulando para a diminuição da massa salarial e agindo pela precarização do pagamento de aposentadorias e pensões, além de encaminhar o fim do Sistema Único de Saúde (SUS), por intermédio de frequentes cortes de recursos, como se a população tivesse meios financeiros para arcar com a assistência médica privada, o que assistimos como resultado imediato é a um punhado de gente na fila do osso nos açougues ou recolhendo restos de comida no lixo exposto próximo aos supermercados e,

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No palco de 1977, lancei meus primeiros livros

                           (*) Carlos Lúcio Gontijo          Quando, no ano de 1977, lancei meus dois primeiros livros eu não dispunha de condições ideais para a façanha, mas ousei dar vazão ao meu idealismo, uma vez que desde os 14 anos juntava material sob o objetivo de editar um livro. À época, não tinha emprego e não conhecia sequer ilustrador para produzir uma capa. Então, mesmo sem possuir capacidade para tanto, elaborei naquele ano duas capas e publiquei dois livros: “Ventre do mundo” e “Leite e lua”. “Quem sabe, faz a hora”, ensina a canção.        O ano de 1977 foi marcado por incertezas políticas, tentativas de golpes militares e fechamento do Congresso, seguindo o pensamento de Ernesto Geisel, que dizia estar governando dentro de uma

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Livros como antítodo a um governo desalmado

                                                                Carlos Lúcio Gontijo        Assistir ao meu País em convulsão política, penando entre uma elite entreguista, uma classe média colonialista sem noção de luta de classe e um contingente de pobres acorrentados às migalhas que lhe são atiradas pelos senhores de terras e engenhos, era panorama impensável a ornamentar de desesperança o meu horizonte de senhor de 70 anos, em pleno século XXI.     Quanta gente estudada (como costumava dizer minha mãe) se nos revelou pessoa direitista, desprezando todo conhecimento acadêmico e toda ciência e mergulhando na baixa mentalidade, contra a qual o grau de escolaridade não serve como antídoto, pois é lá – em suas águas turvas – que a pessoa mediocrizada tenta encontrar solução para os problemas sociais que nos afligem, guiada

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Como se fôssemos recheios de pizza!

                                                     Carlos Lúcio Gontijo           É dever do Estado a alavancagem de políticas públicas que visem combater a existência de camadas da população vivendo sob o signo da pobreza absoluta e assim, na falta de perspectivas e apoio, perpetuando a formação de cidadãos multiplicadores do quadro de miséria material, do qual advém baixa escolaridade e sofrível capacidade intelectual, impossibilitando às pessoas em tais condições o necessário acesso a bons empregos e meios capazes de as conduzirem a uma vida digna.        Num país como o Brasil, no qual os bolsões de pobreza se estendem por seu território, a informação de que o derrotado governo Bolsonaro não deixou orçamento para a manutenção de programas como o Farmácia Popular, a Merenda Escolar e o auxílio de

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Até o apagar do meu candeeiro espiritual

                                              Carlos Lúcio Gontijo                     Continuo sem dinheiro no banco, sem os tais amigos “importantes” e voltei, aposentado do INSS, para o interior. Na casa onde moro, em Santo Antônio do Monte, coloquei indicativo poético-literário na entrada e, desde o alpendre, esparramei memória e sinais de meus 26 livros parede afora. Um mar de sensibilidade intelectual distante deste mundo ainda em batalha por ouro e pedras preciosas.           Entre os meses de abril e junho de 2022, acompanhado de minha esposa Nina, realizei bem-sucedido lançamento duplo de livros nas cidades de Santo Antônio do Monte, Belo Horizonte/Contagem, Lagoa da Prata, Festa Literária de Martins Guimarães e Moema. Todavia, nem bem me refazia de dispendiosa e idealista empreitada, movido pelo espontâneo apoio do cartunista Valdeci

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Tempo de o autor voltar pra casa

Carlos Lúcio Gontijo             Ao lançar dois livros em abril e maio, nas cidades de Santo Antônio do Monte e Belo Horizonte, com a presença de grande público, propus a mim mesmo o fim da produção de livros no papel, ocupando-me apenas da administração de meu site, no qual se encontram postados todos os meus livros – o espaço cultural está em funcionamento desde 5 de junho de 2005 e passará por repaginação, a fim de alcançar maior eficiência técnica.           Iniciei a atividade de escriba menor em 1977, quando publiquei o primeiro livro. Confesso que me sentia (e me sinto) até mesmo aliviado em chegar ao 25º título, com duas segundas edições e uma Coletânea composta pelos cinco primeiros livros. Todavia encontrei casualmente

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Para quem escreve o escritor num país como o Brasil?

                                                 Carlos Lúcio Gontijo            Nunca foi tarefa fácil exercer carreira de poeta e escritor no Brasil, exponencialmente nos dias de hoje, quando assistimos à ignorância ser elevada ao grau de predicado digno de ser ostentado com orgulho e altivez.           A nação brasileira se encontra mergulhada no pior tipo de ditadura que se pode imaginar, pois foi legitimada pelo voto democrático. Ou seja, foi ungida pelas urnas, dentro de uma democracia letárgica, que não soube reagir diante do avanço de ideias autoritárias, defendendo o retorno de atrocidades como a tortura – evocada até por parlamentares dentro do próprio Congresso, sem qualquer tomada de efetiva providência.           A síndrome do Covid-19, que assolou o Brasil no ano de 2020, encontrou nicho bastante favorável à sua

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Os partidos políticos estilhaçam o Brasil

                Carlos Lúcio Gontijo        A classe política e instituições públicas de relevo se uniram ao redor dos cofres da república e, ao passo que travam luta por posicionamentos regados a fanatismo e interesses escusos, mantêm-se coesas quando o assunto é solapar os parcos recursos brasileiros.        Fundo eleitoral e dinheiro destinado a emendas parlamentares são instrumentos inaceitáveis em tempo de pandemia, crise econômica, desemprego e empobrecimento da população, que segue perdendo qualidade de vida e direitos, para que uns poucos possam viver nababescamente.        Negacionistas, fundamentalistas religiosos e espertalhões de toda a espécie – que vivem da capacidade que têm no que diz respeito a ludibriar os incautos e os cidadãos das classes mais pobres material e intelectualmente, pois intencionalmente mantidos bem longe do

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Ao sabor das marés da existência

                                    Carlos Lúcio Gontijo         O tempo da maturidade não nos vem como atributo anexo ao registro do passar dos anos e da idade. Ou seja, sem vivência, sinceridade e aprendizado, corremos o risco de ter cabelos brancos e nos comportar sob os mesmos parâmetros da inexperiência de vida da época de juventude. O avanço da comunicação informatizada e instantânea nos põe diante de colossal feixe de escolhas, que é determinante para a nosso sucesso ou insucesso; felicidade ou infelicidade.        Há uma exigência a nos conduzir ao rápido discernimento sobre onde tomar assento demoradamente e, também, em que lugares não alongarmos conversa e sequer guardar o endereço, uma vez que estamos neste plano terrestre em busca de acrescentar pontos e graus de luz ao

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Toda alma grita por arte

                                               Carlos Lúcio Gontijo           A campainha da minha casa voltou a ser acionada por pedintes, sinalizando que a fome está de volta à mesa dos brasileiros. Da minha janela vejo as pessoas passarem com seus semblantes entristecidos e portando sacolas de compras cada vez mais vazias. O cheiro de churrasco que impregnava o ar nos finais de semana raramente acontece: acabou a festa; é pau, é pedra, é o fim do caminho, como nos diz canção de Tom Jobim.           Preocupado, preparo dois livros para a comemoração dos meus 70 anos, com um quê de coroamento de minha carreira de autor independente iniciada em 1977. O ambiente cultural não está pra livros, pois a fogueira da ignorância arde por todos os cantos numa insistência

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Osvaldo Veneroso, um grande amigo que sobe aos céus!

        (*) Carlos Lúcio Gontijo           Construí minha vida em torno da poesia e da literatura. Meu acervo de amigos neste mundo gira em torno do exercício da arte da palavra escrita. Os amigos de infância que moram no meu peito são exatamente os que me estenderam a mão com o prestígio de sua presença nos lançamentos de meus livros (que em breve serão 25 títulos), ajudando-me a carregar o quebradiço, abandonado e desvalorizado andor da cultura brasileira.          Em meu álbum fotográfico de registro do lançamento da obra BODAS DE BULE – CAFÉ SEM PÓ em Belo Horizonte (4 de maio de 2019), quando Nina e eu comemoramos 40 anos de casamento, na terra em que alicerçamos nossas vidas, constatamos explicitamente o carinho derramado

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Nova e perigosa variante de pessoas

(*) Carlos Lúcio Gontijo             Muitas vezes penso que a literatura e a poesia vieram ao meu encontro num riso descontraído e sem motivo em meu tempo de infância, quando tudo era felicidade liberada sem qualquer preocupação com o caminhar incerto da existência humana.           A poesia e a literatura permanecem em mim desde aquele dia de riso solto como se não incomodassem nem se dessem conta dos meus cabelos brancos e os remédios nas gavetas do criado-mudo, pondo-se a correr no avarandado de minha mente como se eu ainda tivesse pernas para persegui-las em sua ligeireza de horizontes.           Todavia, cansado, coloco meus óculos, pego caneta, papel e fico à espera que elas percam o fôlego e venham ao colo do meu cérebro,

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“Juarez do Dino” e o transformador cultural

 (*) Carlos Lúcio Gontijo             No dia 21 de maio de 2021, faleceu o Dr. Juarez Luiz da Silva, advogado e filho do saudoso Dino Luiz, prefeito de Santo Antônio do Monte, do qual guardo lembrança indelével desde criança, pelo fato de tê-lo visto, quando em viagem à cidade de Moema com o meu pai José Carlos, esquentando comida num improvisado fogãozinho a lenha, para ele e dois funcionários da Prefeitura, que faziam mata-burro numa estradinha vicinal de terra.           Pois bem, o Juarez do Dino (como era popularmente conhecido) saiu ao pai. Ou seja, era um cidadão guiado pela honestidade, pela camaradagem, pela humildade e tratamento ameno junto às pessoas, sempre recebidas por ele com fidalguia e camaradagem em sua imobiliária e, ao

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O poema que anda

Carlos Lúcio Gontijo (*)             A cultura perde cada vez mais espaço nos meios de comunicação, que há décadas se esmeram na propagação de produtos desprovidos de valor cultural e, portanto, incapazes de dar qualquer contribuição à construção de uma sociedade melhor. Ao passo que assistimos ao menosprezo pela cultura, pela educação e pelo conhecimento, com desabrido corte de verbas em tais áreas, detectamos uma insólita e surpreendente entronização da ignorância – tratada explicitamente como louvável predicado. Em um primeiro momento, pode parecer aos desavisados que o problema diz respeito apenas a autores, atrizes, atores, músicos, cantores, pintores, artesãos, professores etc., mas na realidade, quando os segmentos intelectuais e artísticos são desconsiderados, a sociedade perde importante fator de sensibilização dos cidadãos, abrindo espaço para o

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A caminho do meu último romance

          Carlos Lúcio Gontijo (*)                                Durante a nossa existência terrestre, vamos abandonando hábitos e gostos, como que a aliviar a bagagem e, ao final, ficar apenas com o indispensável. Na adolescência eu me punha a pensar de como poderia viver, se acaso tivesse que abandonar o futebol. Pois bem, assim que meu corpo parou de obedecer à agilidade do meu raciocínio, eu deixei os campos e as quadras, guardando na memória um monte de belas jogadas.             Na vida profissional de jornalista, escrevi por muitos anos artigos semanais no “Diário de Minas” e no DIÁRIO DA TARDE, impondo-me uma tarefa da qual imaginei jamais me afastar. Porém, um ano antes de me aposentar já me impus o fim do costume, escrevendo apenas

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Trinta anos sem mãe Betty

                                    Carlos Lúcio Gontijo                                                    Ainda sigo pelo caminho emocional que minha mãe me traçou na infância. No álbum de família acostumei-me com sua imagem, amistosamente, em meio a índios numa fazenda chamada Santo Antônio, lá pelas bandas do pantanal mato-grossense onde nasceu e que ela derramava em seus olhos perdidos em barrancos e alagados, carregando mistérios de curva de rio.        Minha mãe tinha um salão de beleza. Naquele tempo a tinta era preparada através de mistura de substâncias, e minha mãe era perita nessa arte, além de fazer permanentes e penteados com belas “armações” à custa de muito engenho e laquê.         Democrática e despida de preconceitos e intolerâncias, minha mãe Betty Rodrigues Gontijo atendia a todos, incluindo o hoje chamado terceiro

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Belo momento cultural fechou o FLISAMONTE/2019

Carlos Lúcio Gontijo          Nos dias 06 e 07 de junho de 2019, Santo Antônio do Monte realizou o seu Festival de Literatura, com enfoque sobre a nossa obra “poético-literária” constituída por 22 livros e duas segundas edições. A ousada ideia de homenagear autor da terra partiu da Secretaria de Cultura, através da secretária Margarete Resende e sua equipe (Marisa Campos, Vilma Antônia da Silva e Fernando Gonçalves), que contou com o indispensável apoio da Secretaria de Educação, na pessoa da secretária Márcia Bernardes, mobilizando toda a rede escolar do município, inclusive as escolas rurais, que mergulhou com afinco e extremo interesse educacional em nossos cinco livros infantis.        A abertura foi realizada dia 06 de junho, pela manhã, no salão da indelével e

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