Quando quero contar sobre mim, são livros o que conto!

(*) Carlos Lúcio Gontijo

Ano passado (2023) arrebanhei alguns amigos do meu pai JOSÉ CARLOS GONTIJO, a fim de homenageá-lo pela passagem de seus 99 anos. Àquela época já percebi que ele não iria querer nenhuma festa pelos 100 ANOS que se lhe avizinhavam no horizonte do raiar do DIA 19 DE JULHO DE 2024.

Cada um tem a sua maneira de contar os anos de sua vida e eu aprendi com o meu pai que (quando alcançamos a dádiva de chegar à velhice) aprendemos imediatamente a contabilizar apenas os anos que nos restam, pois os dias passados não os temos mais.

Respeito profundamente a decisão dele de não querer nenhuma organização comemorativa em torno do CENTENÁRIO DE SUA EXISTÊNCIA TERRENA, uma vez que, mesmo gozando de boa saúde e lucidez, seu olhar debruçado diante da janela do tempo derrama sobre toda paisagem um incontido (e absolutamente incontornável) sentimento de despedida…

Há duas semanas, fomos eu, minha esposa Nina, meu filho Lucas com a filha Júlia e o meu irmão Marcílio levar-lhe uma recordação pela importante data. Emocionado, ele olhou para o meu filho Lucas e disse com a voz embargada: “Eu te amo”. Não demorou muito, cuidamos de deixá-lo a sós com a solidão de seu pensamento mergulhado em seu imenso, intensamente vivido e bem construído mar de lembranças.

FELIZ 100 ANOS, MEU AMIGO, SR. RANZINZA DE CORAÇÃO MOLE E SILENCIOSO; MEU AMOROSO E QUERIDO VELHO! Saiba que para sempre, inclusive no Reino da Divina Eternidade, valerá a sensibilidade do verso do poema que lhe dediquei: SER PAI É CORRER DOCEMENTE ATRÁS/ DA REALIDADE NATURAL DE NÃO SER MÃE.

(*) Carlos Lúcio GONTIJO

Poeta, escritor e jornalista

www.carlosluciogontijo.jor.br

19 de julho de 2024.