Quando quero contar sobre mim, são livros o que conto!

  REENCONTRO DE MILHÕES, brilhante artigo da jornalista Luciana Sampaio Moreira sobre a importância da amizade verdadeira, da solidariedade e do companheirismo, sentimentos licorosamente derramados no transcorrer do lançamento do livro “100 TEMPO” em BH, numa época de tanta solidão e muitos desencontros pela vida como bem escreveu Vinícius de Moraes.

Luciana Sampaio Moreira

  Espero com uma ponta de ansiedade e alegria, a chegada do cartão de Natal que o amigo, jornalista, poeta e escritor Carlos Lúcio Gontijo e sua mulher, Nina, enviam todos os anos. O presente em forma de palavras acalenta a alma e reforça o estoque de esperança por dias melhores. 

  No ano passado foi diferente. Além dos tradicionais votos, veio também o convite para o lançamento do 26º livro de uma obra literária linda, 100 Tempo, no último sábado, 27 de abril, quando o autor também comemorou seu aniversário do jeito que gosta: perto das pessoas que admira. O local escolhido foi o Xangô, no espaço mais plural de Belo Horizonte, a Rua Sapucaí.

  Eu e Wedisson fomos. Já somos figurinhas carimbadas nos lançamentos de Carlos Lúcio. Em 2021, Wed entregou dois livros do poeta para o presidente Lula. Penso que se a gente não apoia os nossos, muita coisa perde o sentido. 

  Carlos Lúcio, já consolidado, era uma inspiração para mim, a imagem da inquietude naquele início de carreira lá no Diário da Tarde (DT), de onde saí em dezembro de 2001. Chegamos para o lançamento, cumprimentamos o autor, recebemos o nosso exemplar com um autógrafo carinhoso e fomos interagir. Nina, que aniversaria junto comigo, é uma companheira preciosa para Carlos Lúcio. Ambos taurinos, como aqui em casa. Lucas, o filho, estava com Renata e as duas meninas que estão crescendo muito depressa. 

  E como eu, amigos da redação da Rua Goiás e da Avenida Getúlio Vargas, também apareceram para prestigiar o nosso colega de trabalho. Margarida Oliveira, exímia repórter. Adriana Duarte, jornalista do Colégio Santa Maria Minas. Elian Guimarães, para quem eu não tenho palavras para o tamanho do talento. Valéria Flores, versátil e competente com o marido, o ilustrador Nelson Flores. O ex-office boy da redação e hoje advogado, Gilberto Vilaça, acompanhado pela Fabrícia e pelo lindo Henrique (não dei conta até agora) e o Leonardo Moreira, que sabia do DT tudo e mais um pouco. 

  Como se o tempo não tivesse passado, a gente se reuniu ao redor de uma mesa regada a cerveja e tira gostos para fazer o que todo jornalista gosta: colocar o papo em dia, contar histórias bonitas, engraçadas e tristes (tudo isso faz parte da vida) e fazer a resenha. Teve entrevista, direito de resposta e muita prosa boa. O papo rendeu, como sempre acontece no nosso mundo.

  Embora diversos, cada um de nós aprendeu e deixou muito naquela publicação simpática que acabou em 2007, depois de 77 anos de histórias, grandes matérias e relacionamentos que resistem bravamente à distância. Fazer parte dessa história é motivo de orgulho para mim, porque foi lá, entre acertos e erros, que aprendi a trabalhar com esse tal de Jornalismo. Rever os colegas, cada um com sua trajetória, me fez perceber que o tempo passou para todos nós e que, de alguma forma, ainda estamos muito prontos para a vida. 

  Valeu, turma!