Quando quero contar sobre mim, são livros o que conto!

(*) Ariosto da Silveira – Em você não sei o que mais admirar, se a sua capacidade de produzir literatura ou, nesse mister, expor exemplar fidelidade aos seus familiares, amigos e veteranos colegas de jornalismo. Trata-se, a meu ver, de um caso raro: após décadas das pressões diárias no tenso ambiente de trabalho, ao recolher-se às origens em sua Santo Antônio do Monte não se afastou um só momento de seu ideal de escrever sobre temas variados, mas, antes de tudo, aqueles que mais tocam o seu coração. Não caiu no ócio. Trocou a redação do jornal pela intimidade do lar e dos conterrâneos, tornando-os personagens de todas as suas obras, já beirando a casa das três dezenas.
De sua experiência de vida me identifico particularmente da amorosa relação de 45 anos com Nina. Sei o que isso representa, ao atingir 57 anos de mãos dadas com a minha Marly, a quem sempre dedico e renovo todo carinho e com quem divido os mais felizes momentos da vida.
Seus valores espirituais estão neste “100 TEMPO”.
É uma ode ao tempo fugaz, cronômetro de nossa vida tão curta que mal dá para aprender a viver, como conceitua personagem do jornalista-escritor Gabriel Garcia Márquez. Vai mordendo o rabo das horas, como você diz, criando e desfazendo sonhos, embora disso não demos conta. Move-se por si mesmo, marca segundos ou séculos, nos envolve e leva num minuano de Érico Veríssimo. Inventa histórias e nelas nos insere, queiramos ou não. Nos conduz na felicidade e alegria como nas tristezas. Deixa o rastro de lembranças cuja recordação embala os tempos outonais.
Para nós da banda oeste mineira, a imagem é mesmo um trem que só tem ida. Não volta, surdo a rogos.
Parabéns. Agradeço o livro. Está destinado a resistir ao tempo. Sua leitura desperta saudosos sentimentos e dão certeza de que esses poemas e aforismos retratam o conjunto de valores componentes da personalidade do autor.
Seu amigo, colega e admirador,
Ariosto da Silveira
Jornalista e escritor
BH, janeiro de 2024.